segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A alfabetização científica nas séries iniciais do ensino fundamental- Resenha

No começo do artigo o autor mostra as definições e a importância da alfabetização e do letramento. Baseado na obra de Soares(1985) ele expõe que a alfabetização é um processo permanente com fontes inesgotáveis de conhecimento, diz também que a alfabetização é muito mais que ler e escrever.

Fala que esse conceito de alfabetização que se sobrepõe ao apenas ler e escrever é que vai pontuar o ensino de ciências nas séries iniciais do ensino fundamental.

Baseado em outros autores diz que a alfabetização cientifica é o mesmo que letramento, uma vez que letramento é o fato das pessoas utilizarem a leitura de forma prática no seu contexto social e que o letramento transcende a alfabetização.

A partir dessa compreensão ele propõe uma abordagem sistemática de um amplo leque de atividades, articulado com o sistema escolar.

Sugere que a ciência seja inserida em todo contexto escolar, na literatura, na música, no teatro e nos vídeos educativos, etc.

A organização dessas atividades deve ser feita através de um planejamento que contemple a abordagem de conteúdos científicos a partir de conceitos primitivos e alguns conceitos unificadores.

Embora considere que ciências é um campo muito vasto, admite que muito pode ser feito dentro da sala de aula.

Considera que o uso de livros de literatura com mensagens científicas seja gratificante e válido.

Considera também que alunos que já iniciaram a dominar a escrita leiam sobre ciências, porque a leitura ajuda no desenvolvimento cognitivo dos alunos.

Fala sobre a revista Ciência Hoje das Crianças como uma proposta de iniciação cientifica para os educandos. Destaca a importância de leituras de jornais textos e artigos que falem sobre ciências.

Discorre sobre o teatro na escola como forma de desenvolver a memorização a oralidade e ampliação da cultura.

Deixa também dicas de ambientes que aguçam a curiosidade dos educandos como museus de ciência e tecnologia, saídas de campo, locais onde os alunos interagem e aprendem com a realidade.

Deixa como lembrete maior que as aulas práticas consideradas como experimentais podem se constituir em atividades significativas, à medida que promovem compreensão e ampliação do conhecimento em estudo.


A obra traz uma visão de sobre como ensinar ciências no ensino fundamental. O autor fornece dados e formas práticas de como fazê-lo. Mostra que ensinar ciências pode se tornar algo muito prazeirosos para educadores e educandos. Não apresenta fórmulas mágicas, mas mostra como o professor pode se aproveitar da realidade de cada lugar.



LORENZETTTI, L. DELIZOICOV, D. Alfabetização cientifica nos contexto das séries iniciais Ensaio: pesquisa em educação em ciências-Vol 3, n1.Junho 2001.Disponível em : HTTP://www.fae.ufmg.br/ensaio/v3_n1/Leonir.PDF

Leonir Lorenzetti
Possui graduação em Ciências Habilitação Em Biologia pela Universidade do Contestado (1989), especialização em Metodologia e Avaliação de Ensino pela Universidade do Contestado (1995), especialização em Biologia pela Universidade do Contestado (1990), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2000) e doutorado em Educação Científica e Tecnológica pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008). Atualmente é professor titular da Universidade do Contestado e Coordenador Pedagógico Regional da GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino-Aprendizagem.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O ensino fundamental de 09 anos

Amparadas pela Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que já aponta para a ampliação do ensino fundamental, e pela lei nº. 11.274 de 06 de fevereiro de 2006, que alterando a redação de artigos da lei 9.394/96, dispõe sobre a duração de 09 anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade, muitas escolas já estão se adequando ao ensino fundamental de 09 anos, mas o que temos visto é que muitos educadores ainda não conseguem visualizar benefícios sobre ela.


Lidar com mudanças não é fácil, principalmente se não conseguimos visualizar os resultados, mas todo professor tem de estar aberto a mudanças .A realidade nos mostra que nessa idade (seis anos) ainda vemos na criança a necessidade do brincar,


o brinquedo fala para a criança a linguagem simples da pura materialidade, do puro prazer dos sentidos [...] é que ela (a criança) quer saborear de novo a vitória da aquisição de um saber e incorporá-lo”. (BENJAMIN,1984,P 14)



Aparentemente o que se apresenta de mudança é apenas a ampliação do tempo de permanência das crianças nessa etapa da educação fundamental, o que implica em reflexões sobre a infância, a criança, o papel do professor, procedimentos metodológicos, possibilitando o desenvolvimento de atividades de aprendizagem em sala de aula com jogos e brincadeiras, a elaboração de um novo currículo e de formas mais abrangentes e menos excludentes de avaliação.

A prática durante muitos anos mostra que a necessidade do ensino fundamental não é o tempo de permanência na escola, mas a qualidade desse tempo escolar.


O ensino fundamental de 09 anos deverá ter como característica um currículo que leve em consideração as especificidades humanas e professores que rompam com paradigmas, desfaçam conceitos e, principalmente revejam seus procedimentos e maneiras de avaliação, tendo como alvo à inclusão da criança de seis anos e apesar disso garantindo seu direito de ser criança dentro do ambiente escolar com qualidade.

É hora de refletirmos sobre nosso trabalho, buscar métodos e ações que se encaixem nesse novo horizonte, saber que o conhecimento é fonte de autonomia para nossas criançase fazermos o  nosso melhor.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A comunicação e a diversidade linguística na sala de aula

Nascemos com a necessidade de adaptação ao meio social, são os outros membros dessa sociedade que nos transmitirão sua cultura.No início, ainda sem frequentar uma escola aprenderemos de maneira informal, imitando os outros , acumulando experiências e fazendo relação entre elas, toda essa manobra só é possível graças as diversas formas de comunicação.

A comunicação é vital ao ser humano, estamos nos comunicando o tempo todo, seja por palavras, gestos ou ações.

Usamos vários códigos para nos comunicar, mas o mais importante deles é a linguagem, seja ela escrita ou falada.

No Brasil, por ser um país extenso, temos uma grande variedade linguística, mas a maioria das escolas ainda insistem em usar a linguagem na sua forma padrão, como se todos falassem e escrevessem igual. Isso tem trazido prejuízos para a educação , em alguns casos até a evasão escolar, uma vez que o aluno não se sente aceito pelo grupo quando fala ou escreve de maneira diferente dos demais.

A linguagem padrão, deve ser ensinada, mas sem dúvida a linguagem regionalizada é muito mais importante e eficiente para a comunicação. A forma de resolver essa questão seria as escolas e os professores levarem em consideração a cultura da comunidade onde o aluno está inserido,usando essa diversidade para enriquecer o conteúdo de suas aulas. O teatro , a música , a dança e as artes em geral ganhariam mais vida e transimitiriam ao aluno que ele é bem vindo e aceito do jeito que ele é.

Quem é aceito pelo grupo tem prazer em participar, contribuir e aprender com ele.

A escola e o professor que não aproveitam a diversidade linguística estão desprezando uma de nossas maiores riquezas e deixando de lado uma ferramenta muito importante para cativar e despertar o interesse do aluno.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Uma experiência interessante






Todos os anos antes do fim do ano letivo, faço uma pesquisa de preços nas escolas para ter parâmetros de negociação de mensalidade no colégio das minhas filhas. Ligo em algumas escolas e peço um orçamento das respectivas séries que elas irão cursar.

Nunca havia mencionado o fato da mais nova ter síndrome de Down, porque acho que a escola deva estar aberta a todos sem distinção.


Mas esse ano resolvi mudar, além de falar as séries eu também falava sobre síndrome de Down, e advinhem?

Nenhuma escola se arriscou a dar o preço sem antes conhecer minha filha. As conversas eram sempre amistosas até eu mencionar o fato, daí eles transferiam para coordenadora, supervisora e até diretora, ninguém queria se responsabilizar por informações a esse respeito.

Achei de uma covardia e falta de bom senso tremenda. Um desrespeito sem tamanho ao direito de educação de minha filha.
Ora, ela é uma criança, e a lei diz que ela tem direito a educação. Será que ninguém conhece essa lei?

Porque para outra que não tem síndrome as portas estão abertas e para mais nova tem todo um trâmite ?

Eu não sou ingênua, eu sei que eles acham que criança com deficiência dá mais trabalho, que eles terão que ficar em cima o tempo todo, que elas não aprendem e blá, blá, blá....

Mas eu acho mesmo é que falta competência por parte dessas escolas, e acredito que os tais problemas de aprendizado que eles alegam nas crianças , não passam apenas de um problema de "ensinagem" por parte dos educadores. E tenho dito.

Quanto às minhas filhas, elas permanecerão no mesmo colégio. Eu só queria mesmo era  saber o preço...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A postura do professor diante do erro do aluno


O erro faz parte da condição humana, acertar também, mas poucas pessoas acertam sem errar antes.

Num processo real de aprendizado o erro é inerente a todas as pessoas, mas a percepção dele, não. Quando se percebe o erro do aluno o professor deve investigar qual era o objetivo dele quando realizou a atividade, que caminhos ele usou para alcançá-lo, e fazê-lo pensar como atingir seu intento.

Dar respostas prontas, querer que ele atinja o objetivo conforme o professor vê as coisas, restringe o aluno à um mero observador do fato e não a um sujeito atuante nele.

"Nós geralmente descobrimos o que fazer percebendo aquilo que não devemos fazer. E provavelmente aquele que nunca cometeu um erro nunca fez uma descoberta." (Samuel Smiles)

A avaliação do aluno não deve ser feita apenas sobre os acertos dele, seria simplista dizer que apenas os acertos interessam, mas não é bem assim, as experiências que houveram antes dele refletem muito mais como o aluno é, e o que ele é capaz de realizar.

Entender como nosso aluno pensa, instigar sua curiosidade através de atividades diversificadas, aceitar respostas diferentes das nossas dentro do conceito do próprio aluno, faz com que eles se tornem autônomos,confiantes, passíveis de erros, sim, mas também seres humanos capazes de acertar através de suas tentativas e capacidade de raciocinar.

Talvez o único erro dentro da sala de aula seja o autoritarismo do professor em querer mostrar apenas seu ponto de vista e querer que o educando aprenda apenas através da sua ótica.

Muito mais que considerar os erros, o professor deve estar atento à utilidade dele dentro do processo ensino-aprendizagem, saber que o resultado do trabalho do aluno, pode ser um erro dentro do seu ponto de vista, mas um acerto dentro da realidade que esse aluno está inserido.

"Erros, são no final das contas, fundamentos da verdade."
(Carl Gustav Jung)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Temas transversais- Meio ambiente



1- RESUMO: PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

O volume l dos parâmetros curriculares nacionais, através de um breve histórico dispõe sobre a mudança da lei nº. 5692 de 1971, dizendo entre outras coisas que esse documento foi formulado após 1990, quando o Brasil participou da Conferência Mundial de educação para Todos em Jomtien na Tailândia, que resultou dentro de uma visão universal, em posições consensuais na luta pelo atendimento das necessidades básicas de aprendizagem para todos.

Mostra que o processo de elaboração dos PCNS foi feito através de análise de pesquisas realizadas pela fundação Carlos Chagas e sobre currículos oficiais e do contato com informações relativas à experiência de outros países.

Fala ainda que sua função além da universalização da educação está em fazer com que jovens e crianças mesmo em locais e condições desfavoráveis tenham acesso à um conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e reconhecidos como necessários para o exercício da cidadania e apresenta a escola como o local onde isso deve acontecer.

Dispoem ainda sobre a organização do conhecimento escolar, a saber: ciências naturais, português, matemática, geografia, história, língua mãe (para povos indígenas e imigrantes) e os temas transversais: ética, saúde, meio ambiente, pluralidade cultural e orientação sexual.

Nas considerações finais fala que o sucesso escolar e o aprendizado do aluno não dependem de ações individuais, e, sim de um conjunto de ações e pessoas mobilizadas para uma educação de qualidade.



2- PROJETO INTERDISCIPLINAR- PARA ALUNOS DAS SÉRIES INICIAIS.


2.1 TEMA- Meio ambiente


2.2 TÍTULO- Separando o lixo


2.3 JUSTIFICATIVA- As crianças precisam aprender a separar o lixo e entender que seu habitat e as futuras gerações precisaram dele limpo.


2.4 OBJETIVOS – A conscientização que podemos fazer algo pelo bem estar de todos.


2.5 REFERENCIAL TEÓRICO-

“Transformar a escola para colocá-la a serviço da transformação social, não basta alterar os conteúdos nela ensinados. È preciso mudar o jeito da escola, suas práticas e sua estrutura de organização e funcionamento, tornando-a coerente com novos objetivos de formação de cidadãos, capazes de participar ativamente do processo de construção da nova sociedade.” Pistrak (2000,p.8)


2.6. METODOLOGIA-
Será usado o próprio lixo da escola todos os dias, inclusive o da cantina, para que as crianças aprendam que o lixo orgânico também pode ser reutilizado em forma de compostagem, ao final todo adubo produzido irá para a horta da escola, e o material reciclável doado à entidades assistenciais, para venda.

2.7 CRONOGRAMA- 4 semanas, assim divididas:

1ª semana- Mostrar aos alunos através de slides os prejuízos que o meio ambiente tem sofrido por conta do excesso de lixo. Recolhimento e separação do lixo todos os dias, lixo orgânico para compostagem e reciclável em um depósito.

2ª semana- Ainda com recolhimento, mas já remanejando a compostagem para que o adubo se forme

3ª semana- Ainda continua o recolhimento, mas será solicitado às crianças que também tragam parte do lixo de casa, já devidamente separado.

4ª semana- aula na horta, será aplicado o adubo nas plantas existentes e plantadas outras devidamente adubadas, o material reciclado será entregue pelas crianças à entidade escolhida.

2.8 RECURSOS-
Serão utilizados lixo, caixas de papelão, caixas de madeiras, luvas para manuseio do adubo, transporte para as crianças entregarem os recicláveis.

2.9 AVALIAÇÃO-
A avaliação será pelo comprometimento que cada aluno apresentar durante o processo, será avaliado sua postura diante dos problemas ambientais apresentados pelo excesso de lixo, sua capacidade de relacionar o problema à solução.




REFERÊNCIAS
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1997.

STEINLE, Marlizette Cristina Bonafini et al. Instrumentação do Trabalho Pedagógico nos anos iniciais do Ensino Fundamental/ Marlizette Cristina Bonafini Steinle:Sandra Regina dos Reis Rampazzo; Edilaine Vagula. Londrina: Editora Unopar. 2008 p.45 - 82.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

*Resposta à Folha de Londrina- Sobre a entrevista com Sr José Turozi

Com muito pesar e sem nenhuma surpresa, li hoje na Folha de Londrina as declarações do Sr José Turozi presidente da federação das APAES no Paraná, sobre a nova política do MEC com relação à inclusão de pessoas com deficiência na escola comum.( Parecer nº 13/2009 do conselho Nacional de educação (CNE)



Gostaria de lembrar que segudo o parecer as APAES não serão fechadas, como muitos vem pregando e que somente a parte pedagógica deixará de ser feita por elas. Antes que os pais se desesperem é bom saber que a parte terapêutica ( Fisio, fono e To etc) continuarão sendo feitas nessas entidades.



Sobre a inclusão nas escolas comuns, já é provado que os alunos só ganham com isso, uma vez que a diversidade humana pode ser fonte de grande aprendizado.



Sobre os professores estarem preparados ou não, é sabido que enquanto essas pessoas com deficiência estiverem longe do convivío social, os professores nunca estarão preparados. O que prepara alguém para ensinar além do conhecimento que se adquire na faculdade é o conhecimento de seu educando.



Dizer que inclusão abrupta é irresponsabilidade do MEC não faz sentido, uma vez que só existe uma forma de incluir que e é INCLUINDO.



Chamar pessoas com deficiência intelectual de doentes mentais, não é de bom tom para um presidente de uma entidade que diz ter respeito pelos seus alunos.



Como pedagoga e mãe de uma criança com deficiência intelectual totalmente inclusa na escola comum, deixo aqui meu protesto e o meu repúdio a essas declarações.





* A entrevista com esse sr. está na Folha de Londrina edição de 08/10/09.pag 3.ou acesse: www.folhadelondrina.com.br



*Texto enviado à folha de Londrina.Para enviar seu protesto : opiniao@folhadelondrina.com.br,com nome completo, endereço e rg.